quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

ilusão do esquecimento

Não existe o direito ao esquecimento.
Naquilo que é importante e que quem praticou deseja ser esquecido, só pode ser precariamente escondido.
O que nosso medo deseja que seja esquecido é uma necessidade de aprendizado.
E é bom que não fique somente no passado, porque a necessidade de aprendizado é essencial para o que intimamente mais desejamos.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A nova oposição | Luis Nassif

A nova oposição | Luis Nassif: "Por Marcos Doniseti

Nassif, será que, assim, veremos nascer no Brasil, a partir de 2011 um novo bloco político, que seria o ‘Neo-Lulismo’, e que será comandado por líderes como Aécio, Ciro e Eduardo Campos?

Daí, a oposição radicalizada de DEM/PSDB/PPS e da ‘Velha Mídia’ definhariam rapidamente, se esvaziando política e eleitoralmente.

Bem, escrevi um comentário um pouco mais extenso a este respeito, e que é o seguinte:

Realmente, com a derrocada do DEM e do PSDB, devido à mais do que certa derrota da candidatura tucana de José Serra na próxima eleição presidencial, os radicais que dominaram os dois partidos mais virulentos de oposição ao governo Lula, PSDB/DEM, tenderão a passar por um processo de esvaziamento político e eleitoral nos próximos anos.

Eles ficarão restritos a guetos radicalizados e extremistas de uma Direita troglodita e reacionária e que nada tem a propor ao país que já não fizeram quando estavam no poder. Tais grupos políticos são bem representados por lideranças como FHC, Serra, Artur Virgílio, Agripino Maia, entre outros, e também pela ‘Velha Mídia’ (com os 4 Cavaleiros do Apocalipse, representados pela ‘Folha’, ‘Veja’, ‘Globo’ e Estadão).

Isso abre espaço para uma ‘nova oposição’ a um provável governo Dilma? Com certeza.

Assim, é possível ver Aécio aderindo ao PSB depois desta eleição presidencial? Sem dúvida alguma. E o fato de que o PSB é um partido da base de sustentação do governo Lula ajudaria a que esta ‘nova oposição’ não se apresentasse como oposição de fato.

Ela seria, na prática, uma ala mais conservadora e moderada da base de sustentação do projeto político do ‘lulismo’, que terá continuidade, entre 2011/2014, com o governo de Dilma.

Mas, não podemos esquecer que sempre existirá a possibilidade (mesmo que negada hoje e por motivos mais do que óbvios) de que Lula volte a se candidatar em 2014.

E daí, já era para a Aécio, Ciro e para a ‘nova oposição’ de características ‘neolulistas’.

Hoje, o fato é que ninguém ganha de Lula no Brasil em qualquer disputa eleitoral. Isso vale para o momento atual e também para enquanto Lula viver.

Particularmente, estou convencido de que QUALQUER OPOSIÇÃO ao atual governo Lula e a tudo o que ele representa (em termos de avanços econômicos, sociais e políticos) estará condenada à derrota.

Entendo que o governo Lula estabeleceu novos paradigmas em termos de políticas públicas no país, tal como Vargas também o fez em sua época.

Não é à toa que Lula, aliás, já é tão comparado com Vargas, tanto em termos de popularidade como em termos de importância histórica para o país. Mas, este é um debate longo e que provavelmente jamais terminará e não é este o meu objetivo neste texto.

Entendo que o governo Lula implementou um novo projeto de inclusão social e política, e que aprofundou o projeto anterior, que vigorou antes (entre 1930-1964) e que foi o de Vargas/Jango/PTB, tendo o PSD (o PMDB da época) como aliado preferencial.

Tal projeto, ‘Varguista/Petebista’ (também chamado de Nacional-Desenvolvimentista) ou Nacional-Estatista), que foi derrubado pelo Golpe Civil-Militar de 1964 e que acabou desarticulado e fortemente reprimido pela Ditadura Militar, desfrutou de uma maioria eleitoral folgada no período de 1945/1964.

A UDN, e todas as forças políticas identificadas como sendo de OPOSIÇÃO à Vargas e ao seu legado, eram sempre fragorosamente derrotadas nas eleições pela aliança PTB/PSD.

Getúlio Vargas foi o responsável pela criação deste dois partidos, o PSD e o PTB, e enquanto eles estiveram unidos, foram imbatíveis, com a única exceção do fenômeno Jânio Quadros em 1960.

Mas, mesmo Jânio (espertamente, aliás) evitou de aparecer, publicamente, como adversário da herança e do legado Varguista e, como exemplo disso, ele até mandou criar inúmeros comitês eleitorais ‘Jan-Jan’ (Jânio/Jango) na eleição presidencial de 1960.

Desta maneira, Jânio neutralizou totalmente qualquer idéia de que pudesse ser visto como inimigo ou adversário político da herança Varguista. Na verdade, Jânio se utilizou desta herança para poder se eleger Presidente em 1960. E isso deu certo.

Mas, o governador Aécio, me parece, não tem, nem de longe, as características carismáticas de um Jânio Quadros. E a sua presença num partido político, o PSDB, tão identificado como sendo de oposição radical ao governo Lula o impede, na prática, de se apresentar como um líder ‘pós-Lula’ e, muito menos como um ‘neo-lulista’. pelo menos neste momento

E caso Aécio entrasse para o PSB, ele enfrentaria outra série de problemas.

Primeiro: Falta a um partido como o PSB a penetração e a estrutura nacional de um PMDB (aliado petista de primeira hora neste momento) com seus milhares de vereadores, prefeitos, deputados, senadores e governadores.

Segundo: Aécio teria que, para viabilizar uma futura candidatura presidencial vitoriosa, atrair forças e lideranças políticas de outros partidos (do PMDB, PDT, PP, PTB, PR, entre outros) e que, hoje, são aliados da aliança PT/PMDB.

E como Dilma já deixou claro que irá manter o governo de coalizão montado por Lula (que é apoiado por 14 partidos), Aécio ficará na dependência de um eventual fracasso do governo desta para atrair tais partidos e lideranças para o seu bloco político.

E este não poderia, sob hipótese alguma (caso queira ser vitorioso, como é óbvio que tentará ser) se apresentar, perante a população, como sendo de oposição ao governo e ao projeto de Lula e Dilma.

Aécio, Ciro, o PSB e seus eventuais futuros aliados teriam que se apresentar, obrigatoriamente, como sendo ‘neo-lulistas’.

Com todas estas dificuldades e obstáculos, não seria fácil para que este novo bloco político ‘neo-lulista’ se viabilizasse como alternativa real de poder a partir de 2014. Tal possibilidade dependeria de um eventual e gigantesco fracasso do governo Dilma, de uma crise de proporções devastadoras que o governo Dilma não conseguisse combater de forma eficiente ou, até, da morte de Lula.

Ou ainda, teria que surgir algum novo fenômeno político-eleitoral no país, tal como ocorreu com Jânio Quadros ou Fernando Collor, e que o mesmo não fosse encarado pela população como um inimigo do projeto ‘lulista’. Mas, o fato concreto é que Aécio não têm o perfil de Jânio Quadros e sequer de um Collor.

Logo, da mesma maneira que a aliança PTB/PSD dominou politicamente o Brasil entre 1945/1964, a aliança entre PT/PMDB tem tudo para restabelecer esse mesmo tipo de hegemonia política-eleitoral no país nas próximas décadas.

Daí, somente em circunstâncias muito excepcionais (como as que citei acima) é que teríamos a possibilidade de ver a aliança PT/PMDB derrotada em alguma eleição presidencial.

Acredito, assim, que somente em circunstâncias históricas incomuns é que uma aliança política de menor envergadura (como a de Aécio com o PSB) poderia crescer e se viabilizar política e eleitoralmente.

Portanto, cada vez mais estou convencido de que, tal como André Singer observou em seu estudo ‘As raízes sociais e ideológicas do lulismo’, é muito provável que o ‘lulismo’ e as forças políticas que o sustentam (principalmente o PT e o PMDB e também forças de centro-esquerda como o PDT e o PC do B) consigam dominar políticamente o Brasil por várias décadas consecutivas.

Logo, as próximas décadas prometem ser tétricas e sombrias para as forças políticas e sociais que se opõe ao legado de Lula e é bem possível que a ‘oposição’ ao governo de Dilma e ao projeto ‘lulista’ tenha que vir a se apresentar com roupagens ‘neo-lulistas’ para poder se viabilizar política e eleitoralmente."

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

“Brasil, entre o passado e o futuro” - Pesquisa Google

O antigo: http://www.fjp.mg.gov.br/revista/analiseeconjuntura/include/getdoc.php?id=289&article=163&mode=pdf
O novo é da Dilma ainda não lí.
Quem dera se a fusão se fisesse, a diferença entre o psdb e o pt é tão acentuada quanto o Serra e Dilma. Um vice do outro seria o melhor para o presente. A oposição seria a real do Brasil: dem e pmdb. Com os pontos nos is, o mapa da dignidade seria mais facilmente traçado.

Blog do Luis Nassif - economia, política, notícias, jornalismo e opinião

Blog do Luis Nassif - economia, política, notícias, jornalismo e opinião: "A manipulação do clamor público

É instrutivo comparar o comportamento da defesa de José Roberto Arruda com a defesa de Daniel Dantas, no pedido de habeas corpus.

O advogado é o mesmo Nélio Machado. O julgamento é no Supremo. Mas avalia-se que não se obterá, agora, o HC, devido ao “clamor público”. E, obviamente, da primeira decisão ter sido dada por um Ministro comprometido com a Justiça.

Ora, por que o tal “clamor público” não impediu o HC a Daniel Dantas – em circunstâncias idênticas? O que se entende por clamor público, por enquanto, é o que sai na mídia. E, na Operação Satiagraha, os jornalões – indo contra o seu estilo – substituíram o clamor do público por seu próprio clamor, orquestrado pela ação do presidente do STF Gilmar Mendes. Fabricaram um falso clamor e conseguiram, com isso, a pá de cal na credibilidade de uma mídia que já vinha sendo questionada por toda a blogosfera. E Gilmar manipulou o espírito corporativista do Supremo, amesquinhando-o com o devido apoio de Ministros sem respeito pela história do órgão.

Quem não se lembra do notável Nélio Machado, usando a visibilidade do STF para investir contra os blogueiros que denunciavam aquela trama? O homem justo, com a indignação típica dos virtuosos, sabendo que teria todo o apoio dos demais homens justos do país, conduzidos pelos virtuosos da Veja e da Folha, secundados pelo Estadão e Globo? Investiu porque sabia que toda a armação tinha sido desvendada graças ao novo jornalismo que se abrigou na Internet.

Não existe na moderna história da imprensa brasileira nenhum antecedente para o comportamento da mídia na Satiagraha. Em todos os episódios anteriores, ocorreu o oposto, até a condenação sem provas, tudo para satisfazer a sede de sangue dos leitores. Esses mesmos jornais e revistas que massacraram sem pena o japonês da Escola Base, os meninos do Bar Bodega, o Alceny Guerra, que deram abrigo para o Dossiê Cayman, que caçaram a sequestradora Vilma até debaixo do sofá, que aplaudiram a prisão de Chico Lopes e o sequestro do computador da sua filha adolescente, deram uma banana para todos seus leitores, comprometeram-se até a medula, para defender Daniel Dantas, o mais improvável dos inocentes, e condenar a Satiagraha.

Foi o mais desgastante episódio na vida da velha mídia brasileira, pior até que a demora em aderir às diretas. E qual o motivo? Jornalístico, não existia: seus leitores queriam que a Operação prosseguisse. Mesmo que Dantas fosse inocente (o que evidentemente não era) em qualquer outra circunstância – que não envolvesse interesses diretos da velha mídia – ele usaria o cadafalso para satisfazer os leitores. Defesa dos direitos individuais?, nem pensar. Jamais defenderam os que mereciam ser defendidos. Além disso, onde estaria o desrespeito, em uma operação que seguiu todos os trâmites legais, fora o show televisivo?

A razão é simples: medo pânico que a Operação, de algum modo, pudesse revelar os verdadeiros motivos para o jogo sórdido de defesa de Dantas – incluindo fuzilamento de reputações – que ocorreu no período anterior.

Agora as águas voltam ao leito do rio. Nos aquários e no Supremo, Varões de Plutarco ajeitam o cabelo, espanam a roupa, tiram da camisa as marcas do batom do corporativismo rasteiro ou da promiscuidade comercial (e nos IPOs) e entram na sala com o ar solene dos grandes defensores da moral e dos bons costumes… com todas as pessoas bem informadas do país sabendo onde estavam e o que fizeram na longa noite do crime.
Do Estadão

Defesa de governador afastado planeja mudar tática e desistir de habeas corpus

A defesa do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) pode desistir do habeas corpus que, em caráter liminar, foi rechaçado pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados de Arruda estudam estratégia para tentar livrá-lo da custódia decretada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) há uma semana, sob acusação de corrupção de testemunha do inquérito Caixa de Pandora..."

Simon, sobre a Justiça e a Satiagraha

Simon, sobre a Justiça e a Satiagraha | Luis Nassif: "Da Agência Senado
Pedro Simon analisa desempenho do Judiciário em relação a operações da Polícia Federal

PLENÁRIO / Pronunciamentos
17/02/2010 – 19h22

Em discurso nesta quarta-feira (17), o senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez uma análise da atuação do Judiciário brasileiro em relação a operações da Polícia Federal. Para ele, decisões de tribunais superiores entraram em choque com decisões de primeira instância tanto na Operação Satiagraha quanto na Operação Castelo de Areia.

Simon leu o artigo “A Justiça na UTI”, de autoria da procuradora Janice Ascari, publicado pelo jornal Folha de S.Paulo em 24 de dezembro do ano passado, onde ela examina os desdobramentos jurídicos da Operação Satiagraha. Para a procuradora, “após sucessivas intervenções jurídicas incomuns” as investigações sobre “um dos mais escabrosos casos de corrupção” do Brasil foram prejudicadas. Na opinião dela, leu Simon, a Satiagraha surpreendeu o país devido às “manifestações de autoridades e de instituições públicas e privadas em defesa dos investigados”.

- Dos casos sob a responsabilidade do juiz Fausto De Sanctis, o mais conhecido, sem dúvida, é a Operação Satiagraha. Mas há outros dois casos igualmente intrincados e que envolvem pessoas poderosas. A Operação Satiagraha tem como principal acusado o senhor Daniel Dantas, badalado banqueiro, nacionalmente famoso depois que obteve do Supremo dois habeas corpus quase simultâneos que o livraram da cadeia, onde se encontrava por ordem do magistrado acima citado – acrescentou Simon.

“Nunca se viu tamanho massacre contra os responsáveis pela investigação e julgamento do caso. Em vez do apoio à rigorosa apuração e punição, buscou-se desacreditar e desqualificar a investigação criminal colocando em xeque, com ataques vis e informações orquestradas e falaciosas, o sério trabalho conjunto do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, bem como a atuação da Justiça Federal”, afirma a procuradora Janice Ascari no artigo, lido por Simon.

O senador também lembrou que liminares do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), lançadas no fim do ano passado, “podem invalidar as investigações da Satiagraha”, pois suspenderam ações e invalidaram provas da operação.

Outro caso também a cargo do juiz Fausto De Sanctis, acrescentou Simon, foi proveniente da Operação Castelo de Areia da Polícia Federal, que investigou doações da Camargo Corrêa a políticos de diversos partidos.

- No processo da operação Castelo de Areia a investigação do juiz De Sanctis foi suspensa em pleno recesso da Justiça, agora em janeiro, pelo Superior Tribunal de Justiça que aceitou as alegações dos advogados da empresa no sentido de que a investigação teria sido iniciada ilegalmente por quebra de sigilo telefônico em decorrência de denúncia anônima – disse Simon.

O senador voltou a comentar a Operação Satiagraha ao lembrar que o juiz De Sanctis determinou a prisão de Daniel Dantas duas vezes e, nas duas oportunidades, o banqueiro foi beneficiado por decisão do presidente do STF.

- Ali eu me perguntei: será que em outros países é assim, será que na França, nos Estados Unidos, um ministro da Corte Suprema revoga a decisão de um juiz e dá em seguida declarações bombásticas quanto a esse mesmo magistrado? O problema, em poucas palavras, é o seguinte: estarão as decisões dos Tribunais Superiores brasileiros travando investigações contra poderosos, ao mesmo tempo em que desprestigiam policiais competentes, humilham magistrados inflexíveis? – questionou Simon.

Em aparte, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) elogiou e apoiou o pronunciamento do colega gaúcho.
Da Redação / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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